A regra dos 4% é uma abordagem popular, especialmente entre os adeptos do movimento FIRE (Financial Independence, Retire Early), para gerir as poupanças durante a reforma antecipada. Esta estratégia foi formulada para ajudar as pessoas a determinar quanto dinheiro podem gastar anualmente após atingirem a independência financeira, sem correr o risco de ficarem sem poupanças. Mas será que faz sentido aplicá-la em Portugal, especialmente com as condições económicas mais recentes?
O que é a regra dos 4%?
A regra dos 4% foi popularizada em 1994 pelo consultor financeiro William Bengen, que procurava determinar uma forma segura de retirar dinheiro de uma carteira de investimentos durante a reforma sem esgotar os fundos. Através de simulações históricas de mercados, Bengen concluiu que uma pessoa poderia retirar até 4% do valor inicial da sua carteira no primeiro ano de reforma, ajustando a quantia subsequentemente pela inflação, e que essa abordagem garantiria a sustentabilidade dos fundos por, pelo menos, 30 anos. A regra teve por base uma análise das performances passadas dos mercados de ações e obrigações nos EUA, sendo amplamente adotada como um princípio fundamental para quem procura a independência financeira.
O cálculo para atingir este objetivo é simples: multiplicas as tuas despesas anuais por 25. Se, por exemplo, os teus custos anuais forem de 20.000€, deverias poupar cerca de 500.000€ para viver desses rendimentos durante a tua reforma.
A regra dos 4% continua a ser válida?
Nos últimos anos, a regra dos 4% tem sido debatida, principalmente devido às mudanças no ambiente económico global. Aqui estão alguns fatores a considerar:
- Baixas taxas de juro: Com a recente descida das taxas de juro, os retornos em investimentos tradicionais, como obrigações e depósitos a prazo, estão mais baixos. Isso pode dificultar a obtenção de um rendimento seguro de 4% ao ano, forçando os investidores a procurarem alternativas mais arriscadas, como o mercado acionista.
- Inflação: Embora a regra dos 4% tenha em conta uma inflação moderada, em tempos de inflação elevada, como a que vimos recentemente, este método pode ser menos sustentável. Se o custo de vida aumentar muito, os 4% anuais podem não ser suficientes para cobrir as despesas.
- Aumento da longevidade: Com a expectativa de vida a aumentar, podes precisar de um fundo maior para garantir que o teu património dure por mais de 30 anos. Nesse sentido, alguns especialistas recomendam ajustares a regra para 3% ou 3,5% anuais, de modo a garantir mais segurança a longo prazo.
Vale a pena para ti?
Se queres seguir o FIRE ou simplesmente planear uma reforma antecipada, a regra dos 4% é um bom ponto de partida. No entanto, em Portugal, a aplicação desta regra deve ser ponderada com os seguintes aspetos:
- Diversificação de investimentos: Não dependas apenas de um tipo de ativo. Considera investir em ETF’s, imobiliário, PPRs, entre outros, para proteger o teu capital.
- Estilo de vida e hábitos de consumo: Aderir ao FIRE em Portugal pode implicar uma mudança significativa de hábitos, incluindo uma redução drástica das despesas, para acumular o capital necessário.
- Estilo de vida e hábitos de consumo: Aderir ao FIRE em Portugal pode implicar uma mudança significativa de hábitos, incluindo uma redução drástica das despesas, para acumular o capital necessário.
- Reforma: Em Portugal também podemos contar com a reforma para ajustar as contas, para já! Por isso, na altura da reforma podes contar com a pensão para ajustar as contas.
Os diferentes tipos de FIRE
O movimento FIRE tradicional tem por base a regra dos 4% mas desde que começou o movimento FIRE foram aparecendo variantes que se podem adaptar melhor aos teus objetivos e estilo de vida atual.
Vê aqui os diferentes tipos de FIRE.
Conclusão
Eu sou da opinião que a regra dos 4% é uma excelente base para planeares a tua liberdade financeira se for esse o teu objetivo! Claro que deves ir ajustando o plano ao longo dos anos consoante a realidade económica do momento, os teus objetivos que podem ter mudado, etc.
Disclaimer: Alguns dos links deste artigo são links de afiliado se os utilizares recebo uma comissão. Investir em instrumentos financeiros acarreta riscos. Não há garantia de recuperação do valor investido. Esta informação não constitui aconselhamento de investimento ou recomendação. Todas as decisões de investimento devem ser tomadas de forma independente, tendo em conta todas as tuas circunstâncias pessoais.
Subscreve à newsletter para teres acesso a novidades e bónus exclusivos.


Deixe um comentário